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Desencontrado

Noitada de pôquer. Ao menos pros demais. Eu não estava na mesa. Metaforicamente falando, digo. O corpo até estava, mas cabeça e coração, não. Ultimamente, o conjunto anda meio desencontrado: parte está onde se espera, o resto vaga a esmo. Como os deuses do pôquer são caprichosos, cobraram o preço desse descompasso entre o material e o imaterial.

Bem-feito. Todo castigo é pouco.



Escrito por Fernando Lopes às 23h16
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O que aconteceria se...

Há 50 anos, o Brasil conquistava sua primeira Copa do Mundo, embalado pela arte de craques do calibre de Pelé, Garrincha, Vavá, Didi, Zito, Nilton Santos e outros inesquecíveis monstros sagrados do nobre esporte bretão. Mais do que um simples título, uma façanha que ajudou a firmar o futebol como paixão nacional de tal modo, que passou a fazer parte da identidade cultural do próprio brasileiro.

Como estou meditabundo hoje, fico aqui matutando sobre o que aconteceria se o Brasil tivesse perdido mais aquela copa (depois dos sucessivos fracassos de 1950 e 54). Se pernas-de-pau como eu fossem a regra e não a exceção, teríamos nos tornado um país "sério"? Se não produzíssemos Ronaldinhos, Kakás e Robinhos em escala industrial, nossas crianças sonhariam mais em ser médicos, engenheiros, professores e menos com o glamour de uma carreira vitoriosa nos gramados? Se o país não parasse a cada final de copa, a cada jogo da seleção, estaríamos no primeiro mundo? Se o futebol nosso de cada dia não nos desviasse a atenção da miséria nossa de cada dia, teria essa miséria deixado de existir? Teríamos buscado outra "paixão nacional" pra figurar ao lado do Carnaval, da cerveja e da bunda, nossas outras "paixões nacionais"? Difícil dizer. O fato é que aquela vitória mudou, de fato, a história do Brasil. O resto é elucubração inútil.



Escrito por Fernando Lopes às 23h39
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Até que ponto?

Fui visitar meus pais agora à noite e, como sempre acontece quando estou na casa deles, acabei assistindo a um pouco de tevê -- coisa meio rara pra mim hoje em dia, ainda mais em se tratando de canais abertos. Peguei o início do Fantástico, que começou com uma reportagem sobre um pai norte-americano de 68 anos e seu filho mais velho, vítima de paralisia cerebral em virtude de um acidente com o cordão umbilical durante o parto. Por amor ao rapaz, esse homem comum, que jamais havia praticado esportes regularmente, começou a participar, já com mais de 40 anos, de corridas de longa distância, empurrando o filho em sua cadeira de rodas. E foi além: passou para o triatlo, modalidade que a dupla disputa até hoje. Um caso verdadeiramente impressionante de dedicação e amor que, é claro, me trouxe lágrimas aos olhos, como sempre acontece quando o assunto é família.

Fiquei, no entanto, pensando a respeito desse tipo de matéria. Jornalisticamente falando, digo. Tem um quê (ou muito) de apelativa, claro, mas tem seu lado edificante. Mostra que, com dedicação e esforço, qualquer coisa é possível. Até aí, tudo bem. A pergunta é: será que ela atinge seu objetivo? Não o de angariar audiência, óbvio, porque esse pouco me interessa, mas o de inspirar, de levar as pessoas a encararem seus problemas, supostamente menores, e seguirem em frente? Ou será que reportagens assim servem apenas para gerar uma massa acéfala de conformados, que secretamente dá graças a Deus por não ter de enfrentar esse tipo de dificuldade, minimiza os próprios percalços e se acomoda no sofá, achando que a vida é bela? Ou pior, ajudam a fomentar o sentimento de inadequação, de frustração, de vergonha, de medo, de dúvida das pessoas diante dos próprios problemas, cuja gravidade só pode ser efetivamente medida por aqueles que os vivem, não pelos que os julgam?

Não serei eu a dar a resposta, pois, se a soubesse, estaria dando aulas de Jornalismo ou, quiçá, de Filosofia. Quando penso em meus próprios problemas, a única coisa que me conforta é o fato de que daqui a cem anos nenhum deles terá a mais vaga importância, para mim ou para qualquer um. Como se jamais tivessem existido.



Escrito por Fernando Lopes às 22h41
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